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  • Foto do escritorArthur Gadelha

A Filha do Palhaço: equipe fala sobre estreia brasileira de filme cearense

ENTREVISTA | O diretor Pedro Diógenes e os atores Démick Lopes e Lis Sutter contam sobre os bastidores do mais novo filme cearense a chegar aos cinemas

Chegando nesta semana aos cinemas brasileiros, quase dois anos após sua estreia no 32º Cine Ceará, “A Filha do Palhaço” entra para o seleto grupo de filmes cearenses que conseguem engatar no circuito de distribuição nacional. O acontecimento já é celebrável por si só, ainda mais tendo uma trama tão simpática e aberta à novos públicos com a história de um reencontro entre pai e filha. Em entrevista ao Ensaio Crítico, parte da equipe do filme conta sobre as expectativas para a estreia e os bastidores da produção.

 

Como é para vocês poderem estrear um filme cearense nos cinemas? Pedro e Demick já tiveram a oportunidade de estrear filmes anteriores, mas para Lis é uma grande novidade.  

 

Pedro Diógenes (Diretor): É uma alegria gigante porque a gente faz filme para ser visto. Quando a gente começa a planejar um filme acho que o maior desejo é chegar nas pessoas. É uma concorrência muito grande, então é muito difícil conseguir as salas de cinema pelo Brasil. É gratificante poder ver o nosso sotaque, o nosso jeito de falar, o cinema faz a gente poder olhar para as coisas com outros olhares. Uma forma massa de poder olhar para o Nordeste, para a nossa cidade, para os nossos dilemas, com outro olhar. Esse filme é um processo longo. As primeiras linhas do roteiro foram escritas em 2012, foram 12 anos trabalhando no filme, e agora é o ápice.

 

Lis Sutter (Atriz): É uma coisa muito nova para mim, muito diferente, e eu estou bem nervosa. É o meu primeiro trabalho, então não sei muito o que esperar, mas claro que estou muito feliz. Quando aparecem novos trailers e fotos eu mando para os meus amigos e eu fico... Meu deus, sou eu que estou ali. É como se a ficha não caísse direito. Só vou saber como vai ser quando lançar.

 

Démick Lopes (Ator): Eu venho do teatro então eu tenho uma experiência palco-plateia de uma vida, de muitos anos, você sente de imediato o retorno do público. No cinema você não está no palco, mas os festivais funcionam como esse laboratório de como o filme chega na plateia. E esse movimento pós-pandemia e pós-streaming, você decidir ir ao cinema e ficar numa sala escura vendo um filme... Venho observando isso com um olhar mais atento. Tem publico hoje que tem grande dificuldade com isso em telas pequenas e frames mais rápidos. Então a alegria de lançar especialmente esse filme é muito grande, fizemos com muito amor. Estamos celebrando esse momento.



Falando sobre os personagens, pergunto a Lis e ao Demick sobre como foi esse trabalho em conjunto. Démick tem uma larga história com a interpretação, a Lis está começando agora, e no filme esses personagens têm também uma grande distância. Eles vão fugindo um do outro enquanto vão se encontrando. Como foi construir essa distância?

 

Lis: No começo eu estava nervosa, mas o Demick me ajudou muito junto com a preparação de elenco. No filme a Joana e o Renato no começo se estranham, mas fora das gravações o Demick estava sempre do meu lado e eu sentia muita segurança, tenho uma gratidão muito grande. Passei por momentos difíceis durante as gravações e ele estava sempre ali como amigo.

 

Demick: Fazer cinema é bem difícil. Nada é garantido, cada trabalho é um recomeço. Me interessa muito esse lugar de descobrir junto, eu curto muito improvisos porque é um lugar de insegurança. A gente sabe o quanto um longa mexe com a vida de todo mundo, imagina para uma menina chegando para fazer o primeiro longa, e a gente foi se conectando. Olho no olho, pegar na mão, se ouvir, junto com a condução do Pedrinho, pela Samya e pela Elisa, da preparação. Tivemos esse trabalho de acolher a Lis, criar essa intimidade de pai e filha, construída no dia a dia.

Pedro, olhando a sua filmografia a gente percebe o quanto ‘A Filha do Palhaço’ é um filme diferente, parece um “Novo Pedro”. Mas há algo que aparece bastante nos seus filmes que é esse personagem da cidade, um espaço que alegra e oprime, e você filma personagens que frequentam essa margem da cidade, que talvez frequentariam o bar ‘Inferninho’. Fala sobre esse personagem da cidade, que é Fortaleza, mas que parece uma qualquer cidade também, uma qualquer capital que tem suas margens.

 

Pedro: Eu não paro muito para pensar sobre minha filmografia, mas nos últimos dias eu fui dar uma aula na Casa Amarela e passei o primeiro longa que eu fiz, ‘Estrada para Ythaca’, e é engraçado perceber que são diferentes mas tem semelhanças. Cada filme que eu faço estou buscando viver alguma coisa nova, da estética, de processos, de narrativa ou misturando isso tudo. Sinto sempre essa sensação da primeira vez, mas também de um acúmulo. Uma das coisas que estão nesse acúmulo é a cidade de Fortaleza e minha relação complexa com ela, de amor e ódio. Eu amo Fortaleza, mas eu também odeio Fortaleza. Essas contradições acho que tento levar um pouco aos filmes. No ‘Filha do Palhaço’ tem essa questão do humorista que é muito forte para nossa cidade. Somos conhecidos como Terra do Humor, e esse humor não deixa de criar também alguns estereótipos e algumas amarras, então foi uma vontade de falar sobre isso e mostrar também o que tem por trás. O que acontece com esse humorista quando ele não está no palco, quando ele não está fazendo as pessoas rirem? Buscar outro tipo de representação para esse tipo de humor, também muito presente no nosso cinema. São fundamentais o Paulo Diógenes e a Raimundinha, seu personagem. Por eu ser primo dele sempre soube um pouco sobre esse outro lado do humorista. O Paulo sempre fez questão de levar esse outro lado para o palco. Toda apresentação dele acabava com ele tirando a máscara, tentando buscar uma emoção diferente do riso. O filme nasce desse desejo de mostrar o que está por trás do riso. Isso é muito Fortaleza. Eu sou de Brasília, vim morar aqui com 12 anos, e talvez essa vontade de mostrar Fortaleza seja uma forma de marcar esse pertencimento.

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