• Arthur Gadelha

The Killers e a despedida da miragem

Novo álbum do The Killers, Imploding the Mirage, parece narrar o fim do mundo (pelo menos o mundo de alguém).


É como perceber com a idade que aqueles sonhos tão grandiosos guardados eram apenas a miragem, uma ilusão, então o tempo passou e sobrou o quê? A vontade, a energia, o amor a vida que ainda existe para além desses sonhos. Então essa mensagem do The Killers em plena pandemia se transforma num último suspiro, uma última declaração de amor antes de fugir "Em Alguma Direção" com a pessoa que se divide a alma.


Porque nem a direção importa mais, quase como o que Lady Gaga cantou no final de Born This Way: "I'am on the edge with you, with you, with you, with you...". E isso basta. Sumir de tudo, esquecer os sonhos que secaram, partir para outros. Apesar de parecer desespero, essa história só é realmente linda pois não há uma gota de tristeza, solidão ou arrependimento do passado que, por exemplo, banha o cientista do Coldplay. São duas almas apaixonadas pelo risco e pela margem fugindo de tudo, em direção ao centro da miragem, com um sorriso no rosto.


O aviso da alma que algo estava errado, a espécie literalmente em extinção, a fúria dessa vida, a miragem que cansa de tanto ser vista e confundida com realidade. É por isso que a penúltima faixa, When The Dreams Run Dry, parece condensar a mensagem do álbum inteiro da forma mais emocionante possível:


"Quando os sonhos secarem Eu vou estar onde sempre estive Ao seu lado Soltando as rédeas...Todos nós vamos morrer"