• Arthur Gadelha

Domingo: o tédio da ex-burguesia

Atualizado: 9 de Out de 2020



"Tu acha que eu vou perder a oportunidade de ver o circo pegando fogo? De ver o MST invadindo a terra da tua mãe?"

Num domingo caloroso, Fellipe Barbosa e Clara Linhart acabam emulando um "O Pântano", da Lucrécia Martel, mas sem a sutileza ou a ironia sofisticada que são quase marcas registradas da cineasta argentina. "Domingo" é um longo deboche que parodia uma família de classe média decadente ao reagir silenciosamente à posse de Lula em 2003. A paranoia diante de uma possível "vingança dos pobres" é que o sustenta cada um dos personagens nessa trama do exagero.


E assim como no filme da Lucrécia, aqui a discussão distorcida de classe, família, sexualidade e poder é a base do diagnóstico de uma "classe" que acreditava dominar o país. Por ter pouco a oferecer, essa narrativa expõe tudo o que tem de uma vez e caminha pro cansaço apesar de ter seus momentos divertidos. Laura escutando Lula discursar por um Brasil livre e o desfecho no caos da aparência, por exemplo, são alguns desses momentos.


A bagunça do casarão aos pedaços e dos conflitos emocionais dos personagens se confundem e constroem uma trama minimamente curiosa até rodar, rodar, rodar e acabar se enrolando. Aí o filme vai virando uma paródia de si. Acontece.

★★½

Direção: Fellipe Barbosa e Clara Linhart

País: Brasil (SP)

Ano: 2018

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