top of page
  • Arthur Gadelha

16º For Rainbow: Premiados e Justificativas

ensaio Um olhar de perto sobre as emoções que premiaram os curtas-metragens do 16º For Rainbow

Este ano recebi o delicioso convite de compor o Júri de Curtas-metragens do 16º For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero. A experiência foi especial pois foi nesse festival, em 2016, que participei do meu primeiro Júri da Crítica, associado a então recém-fundada Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine). Em 2022, porém, a missão era mais árdua, pois a quantidade de premiações a serem deliberadas era significativamente maior.


Diante de 25 curtas, tive o prazer de me reunir com duas pessoas incríveis: Rosa Caldeira, um dos diretores do premiado Perifericu (2020), e Patrícia Dawson, atriz e performer que iniciou sua carreira no coletivo artístico As Travestidas há mais de 15 anos e que atuou em grandes produções brasileiras como os recentes Paloma (2022) e A Filha do Palhaço (2022). De forma singela, o júri reunia olhares de campos diferentes: crítica, realização e dramaturgia. Numa conversa recheada de argumentos, trocas e ideias, produzimos coletivamente justificativas para as premiações que foram anunciadas na noite desta quarta-feira, 22.


Melhor Curta Brasileiro: Quando Chegar a Noite, Pise Devagar

"Cinema é movimento" é o lema do festival For Rainbow de 2022, mas também é um chamado pela resistência, de recordar da força que precisamos para continuar vivendo e produzindo arte. O medo persiste, claro, ele é cotidiano, mas existem aqueles que continuam o movimento e transformam ele em poesia. Pelo olhar sensível que consegue transportar, o prêmio de melhor-curta vai para Quando chegar a noite, Pise devagar de Gabriela Alcântara.


Melhor Curta Estrangeiro: Prazer (Irã)

Mesmo diante das barreiras, existem obras que conseguem extrapolar diferenças culturais pela sutileza. Pelo olhar sensível, cotidiano, mas nada obvio sobre encontros e desencontros em relações de afeto, o prêmio de melhor-curta estrangeiro vai para Prazer / Jouissance de Sadeq Es-haqi


Melhor Direção: Elusão

Pela aproximação sem pressa de um relacionamento com suas texturas de paixão e receio, elaborando a partir disso uma teia visual, sonora e dramaturgicamente densa que atravessa o delírio, a realidade e as expectativas, o prêmio de Melhor Direção vai para Elusão, de Taís Augusto.


Melhor Roteiro: Pedro Faz Chover

Partindo do acaso urbano, a trama se destrincha em camadas de surpresa, carinho e tensão, desenhando um conflito tão simples quanto grave para um personagem que se vê levado a se encarar com inocência e franqueza. Pela forma como essa história consegue ser guiada com personagens, diálogos e viradas comoventes, o prêmio de Melhor Roteiro vai para Pedro Faz Chover, de Felipe César de Almeida.


Melhor Ator: Victor Di Marco (Possa Poder)

Por dar vida a um personagem que se aproxima do público pela forma sensível como apresenta suas diferentes camadas de complexidade, recheado de detalhes na sua construção, o prêmio de Melhor Ator vai para Victor Di Marco, por Possa Poder.


Melhor Atriz: Layla Sah (Quinze Primaveras)

Pelo cuidado na construção de uma personagem que, sozinha diante de uma câmera, tem sua imaginação cruzada com memórias de diferentes origens para elaborar emoções próprias que comovem pela sensibilidade com que se tornam muito vivas, o prêmio de Melhor Atriz vai para Layla Sah, por Quinze Primaveras.


Melhor Fotografia: Na Estrada Sem Fim Há Lampejos de Esplendor

Pelo olhar consciente da fotografia narrativa, usando luz, sombra e técnica diretamente ligados com a obra. Pela criatividade e estética marcantes. Pela ousadia e diversidade das linguagens sem perder de vista o todo, o prêmio de melhor fotografia vai para Evye Alves Cavalcante, em Na Estrada Sem Fim Há Lampejos de Esplendor.


Melhor Arte: Esta Terra Nobre (Botswana)

Por uma arte que reside nos corpos, marca as peles e emociona quem assiste, o prêmio de Melhor Arte vai para Esta Terra Nobre, de Theo Silitshena.


Melhor Som: Promessas de um Amor Selvagem

Na colisão de futuro e passado, seus elementos sonoros constroem uma unidade que parece não atender a um só tempo ou espaço, mas desenhados para construir essa condução de um mundo real que se transforma em sonho. Pela apresentação desse sentimento na forma como escutamos os diálogos, a música e a contemplação, o prêmio de Melhor Som vai para Promessas de um Amor Selvagem.


Melhor Trilha Sonora: Míssil - Parte 1

No minimalismo de uma história que acontece em paralelo às imagens, ganham potência os elementos que fazem daquele encontro sublime num campo das emoções que está além do cotidiano. Pelo protagonismo da música como parceira do roteiro e das interpretações na composição de um sentimento sem palavras, o prêmio de Melhor Trilha Sonora vai para Míssil - Parte 1, de Roberta Marques


Melhor Edição: Fantasma Neon

Imagens vibrantes são costuradas com fios neons para unir um realismo, musical, performance e entre outras expressões que tornam o filme cativante. Com uma montagem que inspira o fazer cinema, daquelas que entusiasma ainda mais a narrativa e cativa o expectador, o prêmio de Melhor Edição vai para Lobo Mauro por Fantasma Neon.


Menção Honrosa: Tá Fazendo Sabão

Não é fácil construir um único filme regado ao mesmo tempo com sensibilidade, leveza, criatividade e força. Justamente por isso, o júri ressalta o entusiasmo com o filme Tá Fazendo Sabão, de Ianca Oliveira, por conseguir unir todos esses elementos.

bottom of page