• Arthur Gadelha

Os Experientes: Assalto


Sob às ordens do único brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Diretor (por Cidade de Deus) Fernando Meirelles, a série tem sua estreia marcada pela seriedade bem-humorada e a construção de situações curiosas. Yolanda está tentando fazer uma operação em um caixa e, segundos mais tarde, o banco é assaltado oportunamente por Kléber, integrante até então passivo da operação. A partir de então, o assalto se transforma num “sequestro” e Meirelles se diverte no pouco espaço que tem, físico e narrativo. Sobre a segunda instância, nada mais promissor para uma história que pode ser definida com facilidade como uma crônica; essa, escrita por Antônio Prata.


O problema da trama cai sobre João Côrtes, atual garoto-propaganda da Vivo, que não se consolida como um ator interessante e cai no estereótipo do “Bananão”, enquanto Yolanda (Beatriz Segall) se encaixa na senhora experiente de vida. Esse entremeio de personalidade nos deixa um dúvida final sobre seu estranho significado; é evidente que o posicionamento de personagens tão distintos quanto à idade busca um contraponto de experiência.

O assalto-sequestro chega ao fim graças à persuasão/preocupação da Yolanda e da ação da Polícia, sob o murmúrio lá fora e um toque muito rápido da bela interpretação de “Vapor Barato” por Gal Costa (música tema do episódio). Em meio a todo o rebuliço sobre a repercussão do crime, Yolanda sai de manso. Passa pelos policiais, repórteres e pela ambulância de maneira quase anônima. Caminha calçada abaixo deixando o ambiente de confusão sem deixar satisfação pelo ocorrido e chora baixo. O silêncio toma a cena e, de repente, a história chega ao seu fim. Se a ideia for contrapor duas gerações, o resultado perde peso dramático. O que resta à reflexão final é poderosamente simples: o peso da vida, ideia ilustrada pelo passado de Yolanda. “Pode me matar, eu morri há 40 anos...” diz Yolanda ao “assaltante”. Meireles nos despede de uma crônica passageira muito bem posicionada deixando uma centelha emocionante de pena, amor e solidão.

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