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"Família de Aluguel" e a busca por pertencimento

  • Foto do escritor: Isabel Vale
    Isabel Vale
  • 18 de fev.
  • 2 min de leitura

Longa explora o fenômeno das agências japonesas de aluguel de familiares e os desafios de atender às exigências sociais



Dirigido pela diretora japonesa Mitsuyo Miyazaki, Família de Aluguel traz Brendan Fraser como Phillip, um ator estadunidense residente no Japão há anos e que está em um momento de crise na carreira. Sem motivos para regressar ao seu país de origem e sem se sentir parte da sociedade japonesa, ele passa suas noites olhando pela janela, observando os vizinhos celebrarem em família ou solitários como ele.


Certo dia, ele recebe a proposta de “atuar” como familiar de pessoas que precisam desse serviço por diversos motivos. A prática, comum no Japão, é mostrada como uma forma de atender a diferentes demandas sociais, seja a necessidade de um casamento, de um marido ou de um pai, seja por solidão ou dificuldades de socialização.


De início relutante com a proposta, ele aceita, mas internamente nunca abandona o conflito de acreditar estar enganando aquelas pessoas e os outros ao redor. De quase desistir às vésperas de um de seus trabalhos a ultrapassar os limites dos vínculos dentro do trabalho como familiar de aluguel, Phillip nos convida constantemente à autorreflexão.


Sua percepção muda definitivamente após conhecer Mia, uma criança para a qual ele precisa interpretar o pai ausente, garantindo que ela consiga entrar em uma escola tradicional e concorrida, que dificilmente a aceitaria se sua mãe fosse solteira. Seu vínculo de afeto parental se desenvolve na contramão do “profissionalismo” exigido, que pressupõe apenas cumprir o papel por um período determinado. Ao se aproximar de Mia, sua relação se torna cada vez mais sólida, a ponto de ele passar a se enxergar, em alguns momentos, como seu pai, emocionando-se com suas atitudes, pendurando seus desenhos na parede ou conversando com ela ao telefone. Isso começa a causar estranheza na mãe, que teme ainda mais o sofrimento da filha após o término do serviço.


O filme acompanha sua trajetória de forma suave, mostrando a transformação de seu sentimento de indignação em uma tentativa genuína de ajudar cada uma daquelas pessoas que precisam de seu trabalho. A humanidade de Phillip entra em confronto com a lógica da empresa de aluguel familiar e de seus clientes, já habituados a essa cultura.


No entanto, de forma muito sensível, há um ponto bastante presente a se destacar no filme, sua busca por pertencimento ao Japão. Atuando como familiar de aluguel, ele aprende e passa a se sentir mais pertencente à tradicional e reservada sociedade japonesa, desenvolvendo também uma maior compreensão de elementos que antes lhe causavam estranheza. Apesar de seu constante desafio em aceitar e compreender esse contexto, a cena final evidencia seu sentimento de pertencimento e paz no lugar que escolheu chamar de lar.

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