• Arthur Gadelha

Anunciado em 2017, ‘Ceará Filmes’ é oficialmente instituído

Lei foi assinada no 31º Cine Ceará


NOTÍCIA De criação, preservação à atuação de uma Film Commission, projeto chega em 2021 recheado de bons caminhos

Encerramento do 31º Cine Ceará: Rosemberg Cariry, Fabiano Piúba, Camilo Santana, Evandro Leitão e Wolney Oliveira posam com mensagem de lei assinada

Há quatro anos, 09 de maio de 2017, participei do evento de anúncio do Ceará Filmes, grande projeto do Governo do Ceará que contava até com construção de 20 novas salas de cinema no interior com parceria da Agência Nacional do Cinema - Ancine. No relato dessa matéria, expus meu entusiasmo e receio com o trâmite burocrático de se encaminhar um projeto como esse, especialmente ali tão colado com a ruptura democrática que sofreu o Governo Federal com a destituição coercitiva da presidente Dilma Rousseff. Assim terminei o texto:


Depois de tudo que a conturbação de 2015 causou em todas as esferas brasileiras (não só economicamente, como também tragicamente cultural), fica difícil acreditar em qualquer ideia que preze por um longo prazo. Mas o Ceará Filmes tem uma cara de imediatismo, de execução para ontem. Pelo menos foi o que a energia do momento deixou dizer. Vejamos se é verdade.

Aqui estamos nós, em 2021. No dia 03 de dezembro, encerramento do 31º Cine Ceará, o governador Camilo Santana subiu no palco do Cineteatro São Luiz Fortaleza para renovar seu compromisso. Dessa vez com propriedade jurídica, ele assinou a mensagem de lei para a criação do Ceará Filmes, documento entregue às mãos de Evandro Leitão, presidente da Assembleia Legislativa. Como diria a internet: veio aí! No Diário Oficial do Estado, a lei foi finalmente publicada. Segundo Camilo, focada em desburocratização e modernização, a lei é "o primeiro passo para que possamos consolidar a empresa Ceará Filmes".


O documento comunica que programa tem por objetivo o fomento ao desenvolvimento da produção do audiovisual cearense em conexão com a arte e cultura digital, promovendo os processos de criação, formação, exibição, distribuição, preservação, pesquisa e intercâmbio, como forma de promover a cultura, o desenvolvimento econômico e o acesso à diversidade estética e artística, por meio do incentivo à ampliação da produção audiovisual cearense na cena brasileira e internacional.


Como é a natureza das leis, elas não são ações em si, mas ferramentas que criam condições e caminhos para futuros atos que ultrapassam a "boa intenção" e a vontade para se respaldar no interesse público. Com eleições federais e estaduais chegando em 2022 no contexto de um conservadorismo emergente que põe em xeque a permanência das "políticas de estado", termino esse texto daquele mesmo jeito: vejamos se é verdade.