• Arthur Gadelha

Divino Amor: o Brasil que vira paródia

Outro patamar de produção na carreira de Gabriel Mascaro, "Divino Amor", no entanto, é tão frágil quanto sua intenção é potente.

Brasil, 2027. O que há de legal nessa loucura do Mascaro é que a trama empresta elementos paródicos de tédio ao deslumbre da distopia, como a burocratização da vida e a suprema institucionalização da crença divina no dia-a-dia da existência brasileira dominada pelo fundamentalismo religioso. E o exagero da narrativa é o que também torna essa loucura enfadonha, tediosa ao narrar o tédio, refém de sua "expertise" em dissecar o absurdo dessa realidade.


"Divino Amor", na missão de ser apenas um deboche da nossa insossa realidade, fugindo da seriedade e da graça, acaba encontrando um limbo sem impulso. Rapidamente se pega a mensagem, mas ela é cansativa e óbvia demais para engajar.


Para além disso, claro que a obra é perspicaz no ataque ao conservadorismo religioso, pois o discurso é lógico e alimenta potenciais discussões sobre o Brasil Bolsonarista do futuro. Essa face do filme não está no que questiono, e admiro todas as reflexões que Mascaro suscitou a partir dela. Em mim, essa mensagem extra-filme não se traduz de forma orgânica, tornando a paródia óbvia e sem impulso, apesar de todo o esforço em trazer à vida esse mundo do futuro (presente)


Gabriel Mascaro continua sendo um dos grandes nomes do cinema brasileiro contemporâneo.

★★

Direção: Gabriel Mascaro

País: Brasil

Ano: 2019

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